CÓLICAS E DIFICULDADE DE ENGRAVIDAR PODEM SER SINAIS DA ENDOMETRIOSE

Segunda a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 6 milhões de brasileiras sofrem silenciosamente com sintomas importantes, como cólicas intensas durante o período menstrual.


Você tem cólica menstrual intensa ou está tendo dificuldade de engravidar? Se a resposta for sim para uma das duas perguntas, saiba que você pode ser portadora da endometriose, doença ginecológica que afeta entre 10% a 15% das mulheres em idade reprodutiva (13 a 45 anos). 

Segunda a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 6 milhões de brasileiras sofrem silenciosamente com sintomas importantes, como cólicas intensas durante o período menstrual, mas que, algumas vezes pode, até mesmo, incapacitar a mulher para suas tarefas diárias.  

Diagnóstico eficaz

Algumas mulheres são mais predispostas a ter endometriose, como aquelas com parentes de primeiro grau portadoras da doença, as que adiam a maternidade, bem como as que possuem ciclos menstruais curtos (inferior a 27 dias) ou menstruações longas (superior a 8 dias) e também as que apresentam malformações uterinas. 

Durante muito tempo, a vídeolaparoscopia foi o único método considerado adequado para o diagnóstico da endometriose profunda. Atualmente, métodos de imagem como a ultrassonografia transvaginal e a ressonância magnética, são os principais meios para diagnóstico e estadiamento da doença. 

Conversamos com a Dra Fabrina Lopes, especialista em ultrassonografia, para esclarecer as principais dúvidas sobre o diagnóstico da endometriose.

O que é endometriose? 

A endometriose é uma doença inflamatória, caracterizada pela presença e crescimento do tecido endometrial fora da cavidade uterina e do miométrio. A endometriose é classificada em três níveis: superficial (peritoneal), ovariana, e profunda (infiltrativa). 

Quais os locais de maior incidência de endometriose profunda? 

A endometriose profunda é mais prevalente nos ligamentos uterinos, intestino, vagina, bexiga e ureteres.  É importante destacar que a doença pode acometer a mulher em qualquer momento da vida reprodutiva, ou seja, dos 13 ao 45 anos. Apesar de poder ter um início precoce, o diagnóstico geralmente é mais tardio, quando a mulher já tem em torno de 30 anos. É uma doença subdiagnosticada em nosso meio.  

Quais os principais sintomas da endometriose profunda? 

Os sintomas mais comuns frequentemente coincidem com o período menstrual, e são eles: cólicas intensas, dor durante a relação sexual (principalmente de profundidade), alterações do hábito intestinal (diarreia ou obstipação), ardor ou dor ao urinar. Além da dificuldade de engravidar, que poderá ser o único sinal. 

A endometriose profunda tem tratamento? 

Sim, tem tratamento. O tratamento pode variar entre medicamentoso e cirúrgico. Após um diagnóstico preciso, que pode ser realizado por um exame de imagem, o ginecologista indicará o tratamento adequado para cada caso. 

Qual a relação entre a endometriose e a dificuldade em engravidar? 

Há várias teorias que indicam a relação entre esses dois problemas. Como por exemplo: as alterações anatômicas causadas pelas formas severas da endometriose podem levar à infertilidade; a anovulação (não ovulação) crônica pode ser causada pela endometriose; alterações genéticas em mulheres portadoras de endometriose causariam um ambiente hostil ao espermatozoides e defeitos da formação folicular ovariana, além da dificuldade na implantação do ovo, dentre outros sinais, que podem estar presentes em conjunto ou isoladamente.  Porém, é importante dizer que nem toda mulher com problema de fertilidade é portadora de endometriose e nem toda mulher portadora de endometriose terá problema de fertilidade. 

Como fazer o diagnóstico? 

Atualmente a ultrassonografia transvaginal e a ressonância magnética são os principais métodos de detecção e estadiamento da endometriose profunda. No Hospital Agenor Paiva, a investigação diagnóstica e estadiamento estão disponíveis através do exame de Ultrassonografia Transvaginal com preparo intestinal - método de fácil acesso à população, pouco invasivo e com importante sensibilidade na detecção da doença.